DECORAÇÃO SUBVघरSIVA – MANIFESTO

por घरika Karpuk

Meu trabalho é o reflexo da Mulher em construção que Sou. E se Sou Subvघरsiva em essência, o design é a minha ferramenta para questionar sistemas e sensibilizar corações.

Dedico o manifesto à todas as pessoas buscadoras de respostas profundas sobre a existência.

Dedico o manifesto às mulheres exploradas pelo sistema capitalista e oprimidas pela ideologia patriarcal de gênero, que desejam se libertar das grades da opressão, mesmo que ainda, na superfície, não saibam disso.

Dedico o manifesto aos homens tão causadores quanto omissos das nossas dores, que exigem submissão e ‘boa conduta’, tentando à todo instante calar nossa voz e anular nosso poder criativo, pelo temor da concorrência.

Dedico o manifesto às crianças e jovens, servindo de alerta para que não se rendam ao sistema falido no qual, nós adultos criamos e vivemos. Para que tenham argumentos de esperança e mudança, que os fortaleçam para não repetirem os padrões retrógrados dessa sociedade dominada pelo materialismo, pelo medo e pela intolerância.

Assim como uma palavra pode conter um universo de reflexões, uma casa e tudo o que nela existe, também pode ser uma ferramenta poderosa de analises profundas sobre a existência.

Trecho da carta de Dr. Carl Jung para Fanny Bowditch

“Sei que, nas circunstâncias que você descreveu, sente a necessidade de ver com clareza.
Mas sua visão ficará clara apenas quando você puder olhar para o seu próprio coração.
Conquanto tudo pareça discordante, somente por dentro se aglutina em unidade.
Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta

(JUNG, Carl G. Letters, Volume 1: 1906 – 1950. New York, NY – USA: Routledge – Taylor & Francis Group, 2015. p. 33 )

E aceitando minha natureza subvघरsiva, decidi parar de sonhar, olhar pra dentro e despertar a partir da minha Casa e da minha Decoração, porque:

Sou subversiva quando decido desconstruir tudo o que aprendi como certo e errado, bonito e feito, tendência e ultrapassado, num mundo que precisa padronizar, rotular e catalogar pessoas como produtos na prateleira.

Sou subversiva quando digo que não preciso de paredes perfeitas pra ser feliz, num mundo dominado pelas indústrias, onde a busca pela perfeição adoece corpo, mente e alma.

Sou subversiva quando escolho trabalhar com gente, e eu digo NÃO para o marketing abusivo, mentiroso e controlador, que usa as vulnerabilidades das pessoas, para defini-las em padrões e consequentemente controlar suas escolhas.

Sou subversiva quando eu digo às mulheres, vocês podem tudo, num mundo onde ser mulher ou escolher ser uma, é nascer submissa e desvalorizada.

Sou subversiva porque mesmo sendo criticada por ser quem eu sou, num mundo intolerante e cruel, que diz que eu não sou capaz de criar, construir e manter minha vida sozinha, sem auxilio de um homem, me posiciono nas minhas escolhas e potencializo meu amor próprio.

Sou subversiva porque acredito no Amor e Gratidão como principal ferramenta para as pessoas sentirem Bem Estar dentro de suas Casas, num mundo onde prevalece o materialismo e ostentação.

Sou subversiva quando falo para amar seu Lar aceitando seu sofá manchado, suas paredes encardidas e sua cozinha fora de moda, porque essa referência do que é ruim e feio é uma imposição da máquina capitalista, na qual todes fomos submetides a viver.

Sou subversiva porque te digo para parar de buscar referencias de decoração em aplicativos, sites e perfis que só fazem você querer o que está fora, que só fazem você continuar sonhando com uma casa ideal que não é a sua.

Sou subversiva quando eu afirmo que estilo de moda e decoração é uma forma da indústria fazer você acreditar que é um ser padronizável, e você não é, assim como nenhum outro ser humano, porque padrões são prisões da alma e da essência.

Sou subversiva quando eu aceito quem sou e assumo como quero viver, num mundo onde a comparação, a critica e o julgamento são agressões naturalizadas contra a essência.

Sou subversiva quando mudo o conceito da Casa ideal e perfeita, e a utilizo como ferramenta de Autoconhecimento, Espiritualidade, Empoderamento e Libertação da matéria, num mundo onde o consumo virou a cura para o vazio existencial.

Sou subversiva quando eu afirmo que o Amor é o maior investimento que alguém pode fazer no seu Lar, num país onde é gerado mais de 120 mil toneladas de entulho por dia proveniente de construções, demolições e reformas.

Sou subversiva quando eu grito “Pare de demolir Casas Antigas” porque elas são nossa história, num país dominado pelas empreiteiras, que usam o marketing do medo para vender sua segurança no formato apartamento.

subversiva

sub·ver·si·va
adj
Aquela que subverte; que provoca subversão.
adj sm
Aquela que propõe e/ou executa ações com o objetivo de transformar ou derrubar a ordem vigente; revolucionária.
2 Aquela que propaga ideias ou teorias diferentes daqueles da maioria.
3 Aquela que age para tumultuar a ordem vigente, espalhando o caos; agitadora.

Fonte: Dicionário Michaelis

Assumo minha subversão, para que você descubra a sua. E que os significados dessa palavra ganhem força para a transformação das percepções distorcidas sobre quem você é, sobre o seu poder de escolha, sobre o que você entende como morar bem e a decoração ideal para seu estilo natural.

Minha subversão nesse manifesto é mostrar pra você que é possível derrubar a ordem determinada pelo patriarcado capitalista, que engessa a sua vida, através de padrões, estampas e tendências, e só você pode desconstruir essa grande ilusão.

A expectativa de uma casa perfeita está num futuro que nem aconteceu. Por isso despertar para o presente é assumir o controle das suas ações nesse momento. Tudo está em constante movimento, e a fluidez da vida só pode ser percebida no agora.

Subverta-se contra as imposições e reformas que não lhe dizem respeito.

Transforme a Casa em Lar através da sua gratidão pelas paredes, teto e chão.

Use tudo o que você tem, dentro e fora de você, e construa a realidade e o bem estar sem depender do que existe lá fora.

Questione a necessidade dos móveis, ambientes e detalhes que alguém disse serem essenciais para você.

Destralhe, desapegue, liberte tudo o que não faz sentido para você.

E mergulhe cada vez mais profundo, para dentro de si mesme, identificando o que realmente te faz feliz.

Santo André, 21 de julho de 2021
घरika Karpuk