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“Era uma vez um tempo em que a inspiração online não era comprada, mas sim compartilhada.”

Sou da geração que viveu o nascimento da internet, e acessar um site pela primeira vez foi um verdadeiro evento.

No meu caso, aproveitei o que esse processo teve de melhor. Antes mesmo de a internet chegar, migrei meus desenhos em prancheta para o AutoCAD. Depois vieram outros softwares incríveis, que ajudaram a transformar ideias em realidade. Hoje, temos aplicativos e sites que cumprem funções de alguns desses programas, mas certos clássicos, como o AutoCAD, permanecem insubstituíveis no desenho técnico de arquitetura, engenharia e design.

Quando a internet chegou, trouxe consigo os sites, blogs e redes sociais. Foi nessa época que criei meu primeiro blog e comecei a vender projetos por lá. Depois migrei para o Facebook, quando ainda não existiam páginas de arquitetura. Mais tarde, lancei um dos primeiros cinco canais brasileiros de decoração e DIY no YouTube. Tudo isso me levou a aprender coisas que fugiam completamente da rotina de um escritório de arquitetura: algoritmos, métricas, marketing, técnicas de filmagem, direção e edição de vídeo…

Na minha carreira, fiz muita cenografia e sempre estive confortável nos bastidores. Jamais imaginei que estaria na frente das câmeras, muito menos na TV. Aprendi a gravar, editar, decorar roteiros e tantas outras coisas que nunca fizeram parte do meu plano inicial. Mas, por trás de tudo isso, havia algo muito maior:

‘Trilhei caminhos diversos porque eu sempre tive algo a dizer

A comunicação está mudando( e nem sempre para melhor). Sinto que estamos vivendo um declínio da comunicação na internet. Como participante ativa desse universo, tenho percebido um vazio, quase uma frustração.

Recentemente, enquanto pesquisava referências para um novo projeto de casa, fiquei perdida. Os sites estão desatualizados, porque o foco agora são as redes sociais. Os blogs, que antes traziam novidades e ideias únicas, praticamente desapareceram.

O Facebook está em decadência; o nível de conteúdo é tão raso que chega a dar medo.

Já o YouTube… é uma pena. Passei anos trabalhando com a plataforma e vi suas muitas transformações. No início, ninguém sabia nada e aprendemos tudo na marra. O tempo de vídeo era um desafio: começou com 1 minuto, depois 3, 8… agora temos podcasts de 2 horas! Hoje, mal consigo assistir vídeos de passo a passo. Procurar receitas? Prefiro ler em sites e pronto. O excesso de propagandas também tornou o YouTube insuportável.

E as redes sociais mais recentes? No Instagram e no TikTok, tudo é “antes e depois” ou a vida perfeita – só que não.

O Pinterest, que antes era uma excelente ferramenta de referências, agora está tomado por pins patrocinados. Os resultados das buscas são comprados por marcas insistentes, deixando pouco ou nenhum espaço para ideias reais. Antes, o foco era a inspiração, com ideias genuínas de pessoas criativas e profissionais, cheios de originalidade e autenticidade. Era a plataforma onde podíamos encontrar soluções únicas, conceitos inovadores e um verdadeiro mergulho no universo criativo. Hoje, infelizmente, essa essência se perdeu em meio à avalanche de conteúdo pago e repetitivo.

Além disso, não importa qual seja o seu interesse – plantas, pets, decoração, moda ou arte – sempre surgem notícias ruins no meio do caminho. Até as “boas notícias” são sombrias: um bicho salvo de uma catástrofe, um corrupto descoberto, uma trégua em uma guerra que já matou milhares…

‘Os resultados das buscas são patrocinadas, ou seja não existe mais espaço para criadores ou ideias genuínas.’

Entre o desânimo e a esperança

Enquanto usuária, muitas vezes sinto vontade de desaparecer das redes sociais. Elas não me acrescentam mais. Mas, como criadora de conteúdo que acompanhou a internet desde o início, ainda acredito no seu potencial.

A internet pode ser uma ferramenta poderosa para espalhar inspiração e transformar vidas. Durante a pandemia, falamos tanto em reconexão com o lar. Agora, eu me encontro tentando algo semelhante: uma reconexão com a internet.

Tenho refletido sobre maneiras de continuar navegando nesse universo digital sem me sentir invadida ou agredida pelos conteúdos e pelas redes. É um equilíbrio delicado, mas sigo analisando como posso fazer parte desse espaço de forma mais saudável e construtiva.

‘Não sei exatamente o que vem pela frente, mas sinto que algo está por vir – talvez uma nova forma de nos conectarmos, uma nova maneira de comunicar, ou quem sabe, um reencontro com o propósito que nos trouxe até aqui. ‘

घरika Karpuk

Designer de Interiores, subvघरsiva na vida e na decoração


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46 Comments

  • Thuyss disse:

    E o que dá medo são as ferramentas digitais que estão aprendendo o nosso comportamento, IA edta avançando rapidamente e suas consequências veremos em breve!

  • Aparecida disse:

    Minha jornada começou com você e como agradeço por isso! Abrir novas possibilidades, deixar pra trás o que não faz sentido. Decoração? Sim! Sustentabilidade? Também! Mas é muito mais profundo,algo que mexe de dentro pra fora,um inverso de Dorian Grey,pq quanto melhor ficamos por dentro,mais beleza trazemos pra fora. Espero que continue,pq nós, a Internet e o mundo precisam MUITO de alguém que veja e dê coisas boas.

    • Ana Lima disse:

      Olá, Erika. Gostei bastante do post. Sim, amava os blogs e o Pinterest, bem lá no início, sem propagandas… Lembro de um blog chamado Maçã riscada. Nossa que maravilha. Algumas pessoas continuam, como a Constança do Saidos da Concha…não desanime, Erika. Vc é muito criativa e legal. Fique bem. Cheiro.

    • Erika Karpuk disse:

      Obrigada Aparecida, que comentário inspirador. Continuaremos, sim! Com criatividade e Amor ♥

  • Myrella Masseli disse:

    Concordo contigo.
    Pelo menos uma vez por dia penso em sair das redes sociais.

  • Adriana disse:

    Adorei a reflexão sobre as redes..eu tbm não sei como será o futuro disso td..mas tem um monte de gente interessante nesse universo…e q tem o q trocar..essas pessoas q eu quero como inspiração!!

  • Erika querida, estamos no mesmíssimo barco. Eu quase não navego mais por esses mares sociais poluídos, degradados, altamente comerciais e tão pouco sociais. E quando o faço é sempre uma grande decepção, uma tormenta ver no que esses pontos de encontro virtuais foram transformados. Sinto falta daquele ambiente gostoso de blog e de todas as conexões de outros tempos, quando a troca era genuína. Não aguento mais as tendências vazias. Será que é daí pra pior? Ou será que ainda é possível fazer brilhar aquela luzinha no fim do túnel?

    • Erika Karpuk disse:

      Erica do céu! Sabe o que encontrei esses dias? A 1a. revista Ocapop!! Amiga, será que essa turma OldSchool da criatividade não poderia se unir novamente? Um dos comentários aqui me deu um click. Abrimos mão do nosso espaço, para os “saqueadores” de criatividade e inspiração. Quem sabe criar um movimento diferente…

  • Claudia disse:

    Então né… patrocinado. Tudo é comércio e performance. Contar as descobertas e dividir com os outras pessoas ficou soando no vazio. O medo de olhar pra si, esvasiou tudo das gentes todas, então rola_ se a tela até cansar pra não pensar, pra não ter existência real. Sempre muito lúcida você, mocinha. Brigado pela reflexão.

    • Erika Karpuk disse:

      Essa palavra “patrocinado” está me dando arrepios 😀 Tô lendo todos os comentários aqui, e realmente pensando o que podemos fazer para criar soluções saudáveis. Questionar tudo isso já é um começo, né? Obrigada por comentar ♥

  • Kátia Maria de Albuquerque van der Linden disse:

    Sim Erika, está ficando mais difícil filtrar o lixo e encontrar conteúdos interessantes e inspiradores como os que você postava.

    • Erika Karpuk disse:

      sim, concordo Kátia. Sinto isso também! Mas quem sabe possamos fazer algo para mudar, né? acho que levantar a questão já é um primeiro passo para mudança! Obrigada pelo comentário ♥

  • Tathiana Regina De Souza disse:

    Acompanho desde o início, sim a internet é assustadora, tenho saudades das caixas do Edu pq me tirava do conforto, aplico muita coisa até hj, e nesse Momento além da pandemia, não temos inspirações, realmente o faça vc mesmo, não tem mais, só fofocas 🤣🤣 não tem como se inspirar no q não é postado hoje em dia.

    • Erika Karpuk disse:

      Nossa Tathiana, a Caixa do Edu ♥♥♥ essas coisas realmente dão saudade. Também penso muito nisso, como a pandemia impactou tudo isso que estamos falando aqui. Minha teoria é que usamos tanto a internet para viver esse período, nos desconectamos da vida real obrigatoriamente. E as mentes criativas, que funcionaram tanto no lockdown (e que salvaram emocionalmente muitos de nós), entraram em overdose, deixando a internet à mercê dos “saqueadores”. Sabe aquela frase “cabeça vazia, oficina do diabo”? então… “internet vazia…”

  • Beth Vieira disse:

    Acho que esse questionamento é natural. Impossível reinventar o fogo ou a roda, mas em tese podemos, e devemos até, ter novas idéias, novos olhares e não seguir com “mais do mesmo”. O que me frustra um pouco é que eu não acompanho a velocidade, não compactuo com a qualidade e tampouco me sinto motivada a ser agente nessa tão necessária revolução por trazer um conteúdo original que agregue a quem chega o tanto que aprendi láaaa atrás. Tenho uma sensação de ter esgotado as palavras em mim. Escolhi ler, e não ouvir o seu texto, pois quase ninguém lê mais nada. Ai do que não é imediato… Até vídeos de duas horas no youtube existem para serem fatiados e servidos em pequenas porções nos “cortes”, vídeos curtos, seja na plataforma que for. Lembrei do filme Idiocracia… Não sei para onde estamos indo, mas uso a internet hoje para melhorar minha mediocridade em fluência de idiomas em apps que aumentaram meu vocabulário, como diabética descobri receitas, exercícios físicos, e descobri um app de troca de cartas, não emails, cartas que demoram horas ou dias para chegar. E venho conhecendo novas pessoas, culturas… É o que dá pra mim hoje. Beijos.

    • Erika Karpuk disse:

      Beth!! quanta coisa boa que você trouxe nesse comentário. Fui buscar o filme, e que roteiro sensacional! Vou assistir com certeza. “Um tipo com um Q.I. abaixo da média é congelado e acorda no ano 2515, descobrindo que é o homem mais esperto do mundo. Não ficou mais inteligente, o mundo é que ficou mais idiota”. E sobre esse App de troca de cartas! que ideia! Confesso que não sei se conseguiria esperar, mas isso mostra que sim, ideias e possibilidades existem, é só buscar! Obrigada querida. Amei receber seu feedback ♥

  • Daniela disse:

    Erika, acredito q todos que te seguem tem esse sentimento de que a troca na comunicação está cada vez mais difícil e menos natural.

    Também não sei para onde estamos caminhando, mas vamos juntas !

  • Carla Bastos disse:

    Compreendo perfeitamente esse seu sentimento no meio dessas incertezas em que as redes tendem a chegar. É como sentimos também quando tiraram o lápis 2B dos nossos dedos, recolheram a régua T da prancheta e amassaram o lindo croqui. Queremos navegar um rio remando num barquinho, olhando a paisagem e toda a natureza. Mas querem cobrar pedágio, fazer comícios, distribuir panfletos, poluir o leito do rio. Os barcos potentes passam fazendo ondas , nos desestabilizam e nos amedrontam. Não sei onde querem chegar mas você, Érika, não deve desistir porque seu rumo é muito mais genuíno. Eles passam muito velozes, só veem vultos e a natureza não os reconhece nem admira. Você, Érika, é aplaudida e reconhecida por onde quer que navegue.

  • Daniela disse:

    Eu sempre gostei do seu conteúdo! Continue a fazer por nós que te admiramos…💜

  • Maria disse:

    Excelente reflexão. Apesar de tudo eu aí da gosto bastante das redes e aprendo muito, tem pessoas incríveis fazendo e acontecendo .Penso que haverá una seleção natural. Seu trabalho é incrível Erika

  • Fernanda disse:

    Adorei a reflexão, concordo totalmente. O Instagram se tornou algo muito mais comercial do que social. São muitos pontos negativos e preocupantes embora ainda tenha muita gente legal pra acompanhar.

    • Erika Karpuk disse:

      Eu tento seguir perfis que me inspiram, acabo nas plantas, decoração, arquitetura e gatinhos haha mas é justamente essa invasão comercial que você comenta que cansa muito. No final, acabo desistindo de ver quem eu quero, de tanta coisa sem noção que aparece. Obrigada por vir comentar ♥

  • Joseran Barroso disse:

    A primeira vez que te encontrei foi sobre uma cozinha c/armário de concreto azul. Achei o máximo. Fui procurando seguir e depois veio uma guinada, uma casa colorida com um quintal incrível, tenho bananeiras graças a inspiração daquele quintal. Veio a reconexão c/minha casa no GHAR🙏🏻 Gratidão, mudei meu olhar e relação com minha casa 🏠
    Eu sempre em processo, mas sei que aprendi a Amar meu lar.interior (mente/corpo) e exterior (casa/lar/abrigo, meu aconchego, meu ninho na reconexão, por isso tanta gratidão!
    🙏🏻🙌🏻💖

  • Priscila Novaes disse:

    Fora os escândalos todos surgindo com os bilionários por trás das big techs, cada vez mais piorando esses filtros. Acho que temos que entender que a tecnologia tem q trabalhar para nós, não o contrário. Ótimo texto! Saudade dos vídeos no Youtube!!

    • Erika Karpuk disse:

      Precisamos criar nossos filtros particulares, caso contrário seremos sempre controlados por aqueles que detém o “poder”… e acredito na nossa inteligência e criatividade para achar alternativas. Obrigada pelo comentário ♥

  • Sandra Chiappero Schaun disse:

    Sou da turma da esperança. O novo surge nos momentos de ebulição interna. Não tá fácil mesmo tanta notícia ruim, tanta pasteurização estética, tantos conceitos rasos e o mundo caminhando num conservadorismo que assusta. Mas por outro lado vejo gente criativa, inteligente, ativa e ainda comprometida com um mundo melhor pra todos. É só a gente escolher o nosso lado e caminhar junto 💙

    • Erika Karpuk disse:

      Sim minha querida Sandra. São tempos difíceis para os sonhadores, como diria Amelie Poulin 🙂 Mas os semelhantes se atraem, e agradeço demais você estar há tanto tempo na minha vida. ♥

  • Teresa Cristina disse:

    Talvez você esteja com um olhar mais voltado ao “copo vazio”…Talvez seja uma inquietação da sua alma, que clama por experiências com mais significado e profundidade. A natureza se renova o tempo todo, e nós também precisamos desse movimento, no entanto, nem sempre enxergamos isso com muita clareza, e aí surgem as inquietações. Você tem um conhecimento super bacana e pode continuar ajudando muita gente. Que tal as comunidades carentes, que anseiam e precisam tanto de ajuda com seus casebres escorados em barrancos, suspensos em palafitas ou cobertos com papelão? Que tal ser um canal que constrói pontes entre o luxo e o lixo? Sei lá… A Internet também tem esse poder.

  • Maria helena rodrigues disse:

    Nossa aprendi tanto com você, tudo que fiz na minha casa, tem um pouquinho da Erika.Super concordo com vc em relação às redes sociais, para quem gosta de bons conteúdos, tá cada vez mais difícil. Muita informação e pouco
    conteúdo . Gratidão, você ainda continua sendo minha inspiração.

  • Lucia Reis disse:

    ÉRIKA, eu sempre admirei seu trabalho, suas crianças ainda pequenas, seu relacionamento que te fez ir em busca de outros modos de agir, que tão singularmente trazia até nós. Suas ideias, novo modo de curtir o SEU espaço, enfim, desejo que “não se vá” – como vi acontecer com pessoas de valor que se abdicaram da Internet… Que triste perda! Aqui segue o meu carinho e desejo de que dias prósperos nos ALCALCEM – pois por eles lutamos com prazer e empenho. Um abraço, LuciaReis

    • Erika Karpuk disse:

      Lucia, que bom receber seu comentário. E sinto o mesmo, uma pena mesmo daqueles que abdicaram da internet. Entendo, porque já pensei em abrir mão tantas xs que já perdi a conta. Mas sou insistente. Ainda acredito que podemos usar essa ferramenta maravilhosa para conectar pessoas e propósitos do bem. ♥

  • Lucia Burda disse:

    Erika,
    Também sou do tempo inicial da internet, como era divertido hein!!! E pra mim é assim, nas redes sociais gosto de ver os meus conhecidos, que sabem quem eu sou, que sabem que quando comento, dou um joinha, é que realmente eu fiquei feliz com felicidade dele… e poucos, muito poucos que não sabem que eu existo… no YouTube, pouquíssimos que assisto, não passam de 15…
    A nossa vida real, com as pessoas reais em nosso entorno, que ficam felizes com as nossas conquistas, essas sim, valem muito a pena compartilhar as nossas alegrias e conquistas.
    Li tudo, vi todos teus stories hoje, os joinhas não foram, enfim … te digo, segue fazendo o que te faz feliz, e quem continuar gostando das tuas postagens, continuaram, se não… tchau, brigado!!!
    Abraços

  • Nossa, me identifiquei demais com seu texto! Também peguei essa fase mais “roots” da internet, quando tudo era troca verdadeira e inspiração de graça. Dá uma nostalgia enorme ver como os blogs e sites perderam espaço para conteúdos rasos e patrocinados. Acho muito importante trazer essa reflexão, porque ainda dá tempo de resgatar essa essência criativa. Obrigado por compartilhar sua trajetória e visão de um jeito tão sincero e inspirador!

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